Como parar de ser escravo do marketing?

Ou Como começar no Slow Marketing?

Eu escuto muito isso das pessoas… que estão de saco cheio, que não querem mais fazer nada nas redes, que querem ficar fora delas, que se sentem escravos do marketing e de tudo o que ele representa. É verdade que hoje o marketing virou um treco meio esquisito mesmo. Desses que só quem só faz isso consegue ver o retorno.

Infelizmente essas pessoas não são a maioria.

O que mais vejo por aí é uma maioria que só quer ter a quantidade de clientes necessária para viver bem, mas que não encontra o jeito de fazer isso sem ficar “escrava do marketing”.

Minha intenção não é vir aqui com um discurso anti marketing porque trabalho com isso e sei o poder que ele tem dentro de um negócio. Marketing quando é bem feito é muito poderoso.

Mas a gente precisa conversar sobre isso. Sobre o que é um marketing bem feito e Slow.

Um curto contexto histórico.

O marketing só chegou ao Brasil em 1950. Os livros de marketing clássico de Kotler e companhia, só foram escritos em 1960. No Brasil, até 1990, antes da internet, 100% do marketing era Outbound, ou seja, as empresas faziam marketing em tudo quanto é lugar – revista, jornal, rádio, televisão, telefone, planfleto na rua, outdoor – e as pessoas tinham ZERO participação no processo de produção desses produtos e serviços.

Com a internet, nasceu o marketing digital. Isso foi em 1998.

Nos anos 2000 começaram as redes sociais: 2003 Linkedin, 2004 Facebook, 2006 Twitter, 2010 Instagram, para citar as principais e mais usadas pela minha geração.

De lá pra cá vimos o marketing se moldar às regras das redes sociais e dos algoritmos porque praticamente todo mundo está em alguma rede social. Isso faz muito pouco tempo e ainda estamos entendendo o impacto destas tecnologias nas nossas vidas.

É importante saber que esta realidade foi muito bem pensada e desenhada para que qualquer outra forma de divulgação em outros meios, desse menos resultados do que um anúncio em uma rede social. Tem vários livros e artigos sobre isso pelo mundo. Procure saber mais.

Hoje você vive o impacto desta realidade em várias áreas da sua vida.

Por que sentimos que somos escravos do marketing?

Vamos falar especificamente sobre por que você, sendo empreendedor e dono de um pequeno negócio, se sente escravo do marketing.

O primeiro motivo, que é a realidade da maioria dos empreendedores, é o ciclo vicioso que estamos inseridos nas redes sociais.

Os lugares que você frequenta online são todos dominados pelo marketing digital tradicional – aquele que nasceu do Kotler, das armas da persuasão, do neuro marketing culminando no fórmula de lançamento que todo mundo usa de vários jeitos.

O ciclo é vicioso porque quando só vemos fórmulas, acreditamos que só existe isso.

Então replicamos as fórmulas porque está todo mundo fazendo e as novas pessoas que chegam também só veem isso, aí replicam e assim sucessivamente, eternamente…

Sair desse ciclo é uma força tarefa que requer uma grande dose de esforço e consciência, dá trabalho e dá medo.

Por isso pode parecer muito mais “vantajoso” ficar no lugar comum e fazer o que todo mundo faz porque é mais conveniente, mesmo que para você não faça nenhum sentido fazer 14 stories por dia.

O segundo motivo é acreditar que o marketing é a salvação do negócio.

Ta aí mais uma grande ilusão criada dentro das redes sociais.

Marketing é só uma parte do negócio. Ele depende de todas as outras – financeiro, vendas, operações, etc. Então se hoje toda sua atenção está no marketing, ele pode até estar funcionando bem, mas os resultados certamente não.

Ter uma visão macro de todo o negócio é algo que muita gente deixa de lado por acreditar que é só saber usar as redes sociais. Essa crença é fortalecida pela cultura de celebridade: viralizar, ser influencer e ter uma “renda passiva” é o melhor modelo de negócio. #Jackpot

Quantas pessoas você conhece que já te falaram isso? Eu perdi as contas já.

Só que Marketing é o resultado da construção da sua marca. Marketing não é só o post, o artigo, o reels, o stories e os anúncios. Ele é ligado a todo um universo que é seu negócio, seu ponto de vista e sua vida.

O terceiro motivo é a nossa grande capacidade de complicar as coisas que poderiam ser simples porque acreditamos na máxima: NO PAIN NO GAIN.

Quanto mais complicado é o “funil” de vendas, mais acreditamos que vai dar certo, afinal tem 898 passos e 485 automações prontas, que você ficou meses criando.

Ou um planejamento de conteúdo infinito, até 2025 com templates prontos e cheios de rococó para chamar a atenção das pessoas. Jogue nessa conta as novas redes sociais que aparecem todos os anos e o nosso FOMO, para que a ansiedade tome conta de todo o processo e a gente comece a olhar pro marketing com cara de ódio.

Perceba que ao complicar estamos atribuindo tarefas – intermináveis – de marketing, muitas vezes para nós mesmos, para chegar a um resultado que alguém disse que chegou fazendo isso tudo que estamos fazendo.

Em resumo até aqui, o sentimento de ser escravo do marketing nasce de uma mistura de muitas coisas que acontecem todos os dias e que nos fazem acreditar que existe um único jeito do nosso negócio dar certo, quando na verdade não existe certo e errado mas sim o melhor jeito baseado em você no momento que está agora.

Como sair deste ciclo?

Pois é. Lembra da minha frase lá em cima?

Sair dele requer um grande esforço, consciência, coragem e vontade de fazer diferente.

Os passos aqui não são todos, nem os únicos, nem os principais. São passos que eu enxergo que precisei dar e que meus clientes precisaram dar para sair dessa prisão.

Passo 1: Entender que você não é todo mundo.

Essa verdade repetida pelas mães mundo afora, carregam um grande aprendizado: você não tem que fazer o que todo mundo faz. Você é um adulto funcional e inteligente que tem liberdade e autonomia para criar algo seu, pensado e desenhado por você. Isso se aplica 100% no seu negócio, assim como na vida.

Parar de replicar o que despejam em você, vai transformar seu negócio em algo único e autoral.

Agrego ainda que este momento em que estamos vivos no planeta, temos a internet com inúmeras ferramentas que podem nos ajudar a ter o melhor negócio para cada um. O céu é o limite, sempre que seja o mais simples possível.

Passo 2: Olhar para o marketing pelo o que ele realmente é.

Marketing não é venda. Marketing é filtro.

Quando damos ao marketing o papel que ele deve ter dentro do negócio, nossa relação com ele muda.

Marketing é a ferramenta que você usa para chamar a atenção das pessoas, estabelecer compatibilidade e diminuir o risco das pessoas darem o primeiro passo. Nada além disso.

Com este entendimento fica muito mais simples saber o que dizer, como dizer e onde dizer o que precisa ser dito para que as pessoas certas comprem de você. Filtro.

A venda acontece depois que o marketing funcionou.

É outro departamento, que tem a ver com o seu modelo de negócio, ou melhor dito, com como você recebe as pessoas que chegam até você (passo 4).

Passo 3: Saber que lugar quer ocupar na comunidade e no mercado.

Para quem é e para que serve o que você oferece?

Pergunta simples para uma resposta extremamente complexa e profunda. Não por acaso este é o primeiro passo na consultoria individual de Slow Marketing.

Quando você decidiu ter seu negócio, provavelmente foi porque enxergou que estava faltando alguma coisa no mundo. Algo que muita gente percebia, mas que você conseguiu enxergar, resolver e colocar em palavras para mostrar para elas.

Saber a resposta desta pergunta é 60% do marketing, porque o que você faz, só você faz. E de um jeito que também é só seu.

Conseguir enxergar isso e colocar para fora de um jeito simples, organizado e que as pessoas entendam, é a maior prova de liberdade do marketing tradicional que você terá na sua vida.

Passo 4: Receber bem as pessoas que chegam até você

Não ser escravo do marketing também tem a ver com ter a casa arrumada para receber visitas.

Lembrando o exemplo da torneira e do balde, onde a torneira é o marketing, a água são os clientes e o balde seu negócio, se o balde está furado ou sem fundo, não adianta escancarar a torneira porque a água vai passar reto.

Receber bem as pessoas é elas chegarem até você, seja nas redes, no seu site ou pessoalmente, e entenderem o que você oferece e se o que você oferece é para elas naquele momento.

Um balde furado é aquele que as pessoas chegam e não entendem seu serviço, não tem certeza se é para elas e nem se é o momento certo de trabalhar com você.

A mente confusa diz não. Se ela não entende muito bem o que você oferece, ela vai buscar alguém que explica melhor.

Este passo é muitas vezes ignorado, mas é o que vai gerar um excelente relacionamento com seus visitantes e ele é tão importante quanto o marketing.

Passo 5: Escolher com consciência onde divulgar seu trabalho

É aqui que todo mundo foca quando começa um novo negócio e é aqui que todo mundo vira escravo. Perceba que pensar sua estratégia de marketing vem no final do processo.

É uma armadilha enorme começar pelo marketing porque com certeza você vai buscar referências, cursos, dicas e informações de pessoas que:

  • estão muito mais na frente do que você (muito mais, tipo anos luz na frente), então o que ela esta fazendo agora vai ser humanamente impossível para você
  • tem a vida muito diferente da sua – tempo, recursos e habilidades
  • vão ficar te convencendo a mudar seu modelo de negócio para ficar igual ao delas

E vai se jogar em redes que:

  • à princípio só querem seu dinheiro (muito dinheiro)
  • vão te fazer duvidar da sua capacidade como empreendedor
  • vão mostrar tudo o que você ainda não precisa para ir em frente

Esse caminho dentro do marketing digital atual faz mal aos negócios porque confunde, frustra, duvida, suga, enlouquece aqueles que só querem ter um negócio que se sustente.

As escolhas que fazemos na hora de divulgar nosso trabalho precisam ser conscientes porque precisam ser alinhadas com nossa realidade.

O tempo de cada um é diferente, assim como as habilidades, as travas e os recursos. Quanto mais você ficar nas redes, mais vai dar espaço para comparações injustas e desnecessárias. Isso paralisa e frustra. Causa ansiedade e medo.

Por isso o Slow Marketing também traz para o centro da discussão o que você consome como “verdade”.

Seu trabalho pode nem precisar das redes sociais para existir e ser próspero, por exemplo.

Existe um lugar que faz sentido para você e seu negócio estarem, e é essa escolha que vai mudar como você se relaciona com o marketing. Escolha com os pés no chão, a mão no coração e na consciência.

A Grande conclusão:

Marketing é UMA das várias ações que compõem o todo do negócio. Ele sozinho não resolve.

O sentimento de se tornar escravo nasce da falta de clareza sobre seu próprio negócio, somado às verdades não tão verdadeiras que te contam sobre como ter um negócio próspero.

Não caia nessa armadilha . Trilhe e acredite no caminho que você enxerga ser o melhor para você.

Se precisar de uma mãozinha no processo de encontrar o seu caminho, estou à disposição na Consultoria Individual e na Comunidade Slow Business Hub.

1 Comentário

  1. Jeferson Sousa

    Olá Ana,
    Espero que esteja tudo bem!

    Me chamo Jeferson e fiquei profundamente reflexivo com o seu artigo.
    Você descreveu exatamente os sentimentos que fico quando busco aprender marketing digital, muitas vezes frustrado, cansado, vendido e sem proposito com meu modelo de negocio.

    Até salvei nos meus favoritos para ler sempre, porque não quero ser escravo de algoritmo, apenas fazer o meu trabalho com dignidade e proposito, em paz com as minhas decisões e valores que entrego.

    Sempre ótimo encontrar pessoas assim, autenticas e generosas

    Deus sempre estará iluminando seus caminhos, porque você age com a verdade.

    Obrigado sempre

    Jeferson

    Responder

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

×